Nesta página: Final de semana foi cheio de atualizações na lista de filmes vistos.
Estou começando mais uma seção para meu blog, nela, na Locadora, vou trazer algumas dicas com pequenos comentários sobre filmes, séries e documentários que assisto na semana, mas a lista completa mesmo vou colocar no Letterdbox.
Devoradores de Estrelas
Fui ao cinema no Shopping Patteo Olinda assistir Devoradores de Estrelas e saí de lá com aquela sensação rara de ter visto algo que realmente fica. É um filme sobre esperança, mas não de um jeito abstrato ou clichê. Ele trabalha isso a partir de um personagem completamente deslocado, um professor sem raízes, sem vínculos, sem lugar no mundo. E é justamente no desconhecido que ele encontra algum tipo de pertencimento.
O momento que mais me pegou não foi nem uma grande virada de roteiro, foi algo simples. Quando a personagem interpretada por Sandra Hüller canta Sign of the Times, do Harry Styles, no karaokê. Ali veio o primeiro nó na garganta. A partir dali, o filme começa a costurar relações, propósito e sentido de um jeito muito humano. E visualmente ele sustenta isso o tempo inteiro, com imagens muito bem construídas.
Dito isso, a experiência do cinema em si atrapalhou. Tinha um casal conversando alto no começo, como se estivesse em casa. Isso quebra completamente a imersão, principalmente em um filme que depende tanto de atmosfera. É um problema recorrente, e não é técnico, é comportamento.
POV: Presença Oculta
Assisti também POV: Presença Oculta, do Shudder (consumido via Torrent). É um terror curto, direto e funcional. A proposta é interessante, usar a câmera corporal como dispositivo narrativo para mostrar um policial lidando com um evento violento e suas consequências.
O filme funciona bem enquanto constrói tensão. Ele tem ritmo, tem boas ideias e consegue manter interesse. O problema é que não sustenta isso até o final. A resolução é mais fraca do que o desenvolvimento, o que acaba diminuindo o impacto geral. Não chega a estragar, mas deixa aquela sensação de que poderia ter ido mais longe.
Por Dentro da Machosfera
Por último, vi Por Dentro da Machosfera na Netflix. É um documentário necessário, principalmente pelo tema. Ele aborda a chamada “machosfera” e as dinâmicas de comportamento masculino, passando por comunidades redpill e discursos relacionados.
O recorte é muito centrado no contexto norte-americano, e isso levanta uma questão inevitável. Não fica claro se o cenário lá é mais crítico ou se aqui no Brasil a situação é ainda mais grave, especialmente considerando que a violência aqui muitas vezes ultrapassa o psicológico e chega no físico.
O ponto mais fraco, pra mim, é a falta de aprofundamento. O documentário mostra, expõe, mas não avança muito em diagnóstico ou análise. Dá pra argumentar que isso é uma escolha narrativa, deixar o público tirar suas próprias conclusões. Mas, em um tema desse tipo, talvez um pouco mais de estrutura analítica ajudasse na conscientização, não só na exposição.

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